Arquivos da categoria: Ditadura

Uma forma opressora de governo estabelecida por meio da força ou intimidação e permite a uma pessoa ou grupo monopolizar o poder em relação à sociedade em geral.

31 de março: golpe contra Jango completa 52 anos

Brasília – Após o último discurso de João Goulart como presidente na noite do dia 30 de março de 1964, tropas militares e apoiadores civis começaram a se movimentar para sua derrubada. Nas primeiras horas do dia 31 de março, o golpe de Estado começou efetivamente com a saída de tropas de Minas Gerais em direção ao Rio de Janeiro, ainda sede do governo federal. Enquanto os insatisfeitos com o governo avançavam (para o que chamariam de “revolução”), Jango tentava articular a resistência junto a militares legalistas e sociedade civil. Confira as principais movimentações daquele dia:

02h30 – Tropas do IV Exército partem de Juiz de Fora (MG)

General Mourão
Creative Commons – CC BY 3.0 - General Mourão

Reprodução / Revista O Cruzeiro

Em Minas Gerais, o general Mourão, comandante do IV Exército decidiu entrar em ação e escreveu no diário dele:“Acendi o cachimbo e pensei: não estou sentindo nada e, no entanto, dentro de poucas horas, deflagrarei um movimento que poderá ser vencido, porque sai de madrugada e terá que parar no meio do caminho”. Entre 3h e 4h, começou a movimentação das tropas  em direção ao Rio de Janeiro. Mourão fez uma nova anotação. “Eu estava de pijama e roupão de seda vermelho. Posso dizer com orgulho de originalidade: creio ter sido o único homem no mundo (pelo menos no Brasil) que desencadeou uma revolução de pijama”.

5h – O golpe avança também por telefone

General Mourão e o deputado Armando Falcão
Creative Commons – CC BY 3.0 - General Mourão e o deputado Armando Falcão

Acervo EBC

Mourão telefonou para o deputado Armando Falcão para informar sobre o movimento das tropas, que por sua vez telefona para o general Castelo Branco e avisa que as tropas já estavam na estrada União-Indústria, ligação entre Juiz de Fora e Petrópolis. Castelo ligou, então, para o irmão do comandante do II Exército e pediu para avisar o general Amaury Kruel que, sem ele, a movimentação “não passaria de uma aventura”. O recado chegou ao quartel-general do II Exército em São Paulo, mas Kruel se mantinha fiel a Goulart.

7h – Castello Branco articula o comando do RJ

Castello Branco
Creative Commons – CC BY 3.0 - Castello Branco

Arquivo Nacional / Agência Nacional

No Rio de Janeiro, o general Antonio Carlos Muricy recebeu a senha de Mourão para se dirigir a Juiz de Fora: “começou a brincadeira”. Avisado sobre a situação, Castelo Branco determinou que o general Antônio Carlos Muricy, em seu próprio automóvel, fosse ao encontro de Mourão e assumisse o comando das tropas. Muricy rumou para Minas no seu Rural Willys, enquanto Castelo  ao telefone tentava conter a marcha dos mineiros. Castelo Branco vai para o Ministério da Guerra e fala com o general Guedes, alegando que “não foi possível fazer nenhuma articulação” no Rio de Janeiro: “A solução é vocês voltarem, porque senão serão massacrados”.

13h – EUA enviam porta-aviões para apoiar os golpistas no Brasil

Porta-aviões dos EUA
Creative Commons – CC BY 3.0 - Porta-aviões dos EUA

Divulgação: O dia que durou 21 anos / Pequi Filmes

O contra-almirante John Chew, vice-diretor de operações navais dos EUA, ordenava ao comandante em chefe da Esquadra do Atlântico o deslocamento de um porta-aviões à frente de uma força-tarefa para a “área oceânica na vizinhanças de Santos, Brasil”

Rui Moreira Lima sobrevoa as tropas de Mourão com seu caça

Em iniciativa individual, o comandante da Base Aérea de Santa Cruz, coronel-aviador Rui Moreira Lima, por conta própria, decolou em um jato de caça. Os voos rasantes assustaram a tropa de Mourão. Sem ordens para atirar, retornou para a Base Aérea. Em depoimento para a Comissão Nacional da Verdade, em 2012, ele relembrou o episódio:

 Assista o vídeo de Rui Moreira aqui

16h Jango tenta articular a resistêcia junto aos militares 

João Goulart em reunião com Peri Bevilacqua
Copyright - João Goulart em reunião com Peri Bevilacqua

Arquivo Nacional / Agência Nacional

Jango convocou o chefe de Estado-Maior das Forças Armadas, o general Peri Bevilacqua ao Palácio. Bevilacqua apresentou a Jango um documento que expressava a opinião dos chefes dos Estados-Maiores do Exército e da Aeronáutica. O general garantiu que ainda era possível reestabelecer a confiança entre o Presidente da República e as Forças Armadas: uma declaração formal de se opor à deflagração de greves políticas, anunciadas pelo principal sindicato da época, o Comando Geral dos Trabalhadores (CGT), ligado a Goulart.

CGT: “vamos decretar a greve”

João Goulart e Clodismidt Riani
Creative Commons – CC BY 3.0 - João Goulart e Clodismidt Riani

Erbes Soares Ferreira / Acervo Maria do Resguardo

Goulart telefonou para o presidente do CGT Clodsmidt Riani e pediu aos sindicalistas que evitassem a decretação de greves. “Presidente, o senhor vai me desculpar, mas o que pode manter um governo agora é só o povo na rua. Nós vamos decretar a greve e está decidido”, respondeu o líder sindical.

18h – JK lança carta em defesa da “discilplina e hierarquia” e faz apelo a Jango

Juscelino Kubitschek e João Goulart
Creative Commons – CC BY 3.0 - Juscelino Kubitschek e João Goulart

Arquivo Nacional

No final da tarde, Juscelino Kubitschek divulgou uma nota afirmando que “a legalidade está onde estão a disciplina e a hierarquia”. Depois, foi conversar com o presidente no Palácio das Laranjeiras. Para evitar o golpe, o ex-presidente propôs a Jango uma solução política: nomear um novo ministério, de caráter conservador, punir os marinheiros e lançar um manifesto de repúdio ao comunismo. Jango não concordou. “Eu não posso fazer isso. Se fizer isso, dou uma demonstração de medo e um homem que tem medo não pode governar o país”, teria dito o presidente.

Carta da Presidência fala de resistência ao Golpe

Comunicado da Presidência
Creative Commons – CC BY 3.0 - Comunicado da Presidência

Erbes Soares Ferreira / Acervo Maria do Resguardo

Jango distribuiu aos repórteres um texto intitulado “Comunicado do Presidente da República”. A nota informava que o ministério da Guerra já havia enviado tropas do I Exército para acabar com a rebelião. O general Jair Dantas Ribeiro, que estava no Hospital se recuperando de uma cirurgia, reassumiu o ministério da Guerra. Fez contatos com o comandante do I Exército, general Armando de Moraes Âncora. A seguir, distribuiu uma nota aos comendantes dos quatro Exércitos declarando que a ordem seria reestabelecida a qualquer preço. Um avião T6 da FAB jogou os dois tipos de panfletos sobre Juiz de Fora

Regimento Sampaio adere ao Golpe

Tropas na proximidade com o RJ
Creative Commons – CC BY 3.0 - Tropas na proximidade com o RJ

Reprodução / Revista O Cruzeiro

O Regimento Sampaio,  I Regimento de Infantaria comandado pelo coronel Raymundo Ferreira de Souza, aproximava-se do que poderiam ser as linhas de combate. Ao chegar em Três Rios (RJ), o comandante do regimento, coronel Raymundo Ferreira de Souza, recebeu um telefonema do marechal Odílio Denys, de quem fora assistente, e mudou de lado:“Eu e toda minha tropa nos solidarizamos com o movimento revolucionário”. Mourão estava em Três Rios. Denys deslocou-se para o Vale do Paraíba onde manteve contatos para obter a adesão das tropas legalistas.

22h – Comandante em SP pede rompimento de Jango com a esquerda

O comandante do II Exército, general Amauri Kruel
Copyright - O comandante do II Exército, general Amauri Kruel

Reprodução / Revista O Cruzeiro

O comandante do II Exército em São Paulo, general Amauri Kruel pediu ao presidente que rompesse com a esquerda. Queria a demissão de Abelardo Jurema do ministério da Justiça e de Darcy Ribeiro da chefia do gabinete Civil e colocasse o CGT na ilegalidade. Jango negou o pedido. “Se essas são as suas condições, eu não as examino. Prefiro ficar com as minhas origens. O senhor que fique com as suas convicções. Ponha as tropas na rua e traia abertamente”. Em um novo contato telefônico, Kruel insiste na proposta mas Jango mantém a negativa.

23h – Kruel passa a apoiar o Golpe

Kruel ordenou o deslocamento das tropas do II Exército e da Força Pública de São Paulo para o Vale do Paraíba no caminho para a Guanabara e divulgou manifesto em que diz ser preciso “salvar a pátria em perigo”. O governador Ildo Meneghetti, refugiado em uma cidade do interior, ordenou, com sucesso, que a Brigada Militar apoiasse a revolta.

Miguel Arraes e Gregório Bezerra são presos em Pernambuco

Prisão do governador de Pernambuco Miguel Arraes
Creative Commons – CC BY 3.0 - Prisão do governador de Pernambuco Miguel Arraes

Reprodução / Revista O Cruzeiro

No comando do IV Exército, o general Justino Alves Bastos, tomou posição ao lado dos golpistas e ordenou a prisão do governador de Pernambuco Miguel Arraes. O governador ainda fez um discurso por meio de um rádio de dentro do Palácio das Princesas, enquanto negociava com os apoiadores do golpe. Ouça:

No Porto de Recife, o início de uma greve foi reprimida pela Marinha. Gregório Bezerra incentivou uma revolta camponesa no sul do Estado. Preso, foi arrastado pelas ruas de Recife em um carro do Exército. Ele contou sobre o episódio em entrevista gravada. O registro foi recuperado e digitalizado pelo Armazém Memória.

 Veja o vídeo de Gregório Bezerra  aqui

Leia e ouça o último discurso de João Goulart aqui

Itália vai julgar agentes da ditadura brasileira

Jornal GGN - Na última sexta-feira (26), a Justiça italiana decidiu que irá julgar separadamente os brasileiros Marco Aurélio da Silva Reis, João Osvaldo Leivas Job, Carlos Alberto Ponzi e Átila Rohrsetzer, agentes da ditadura militar brasileira. Os quatro são acusados de homícidio do ítalo-argentino Lorenzo Ismael Viñas em 1980. Os juízes italianos acataram o pedido da defesa dos brasileiros, que pediam que eles fossem julgados separadamente de outros 33 acusados de participar de crimes nas ditadura da América Latina.

O julgamento dos brasileiros vai começar no dia 9 de maio, na cidade de Roma, e o réus poderão ser condenados à prisão perpétua. O processo Condor começou um ano atrás e acusa outros 33 militares e políticos latino-americanos por crimes contra a humanidade, ao terem participado de assassinatos e sequestros durante os regimes autoritários nas décadas de 70 e 80. A Itália decidiu processá-los porque eles são suspeitos de envolvimento em mortes de cidadões com dupla cidadania.

Enviado por José Carlos Lima

Da RFI

Itália julgará agentes da ditadura militar brasileira em maio

A III Corte de Assis, em Roma, decidiu nesta sexta-feira (26) julgar separadamente os brasileiros Marco Aurélio da Silva Reis, João Osvaldo Leivas Job, Carlos Alberto Ponzi e Átila Rohrsetzer, acusados de homicídio culposo do ítalo-argentino Lorenzo Ismael Viñas, em 1980. Os quatro eram agentes da ditadura militar brasileira à época. A Justiça Italiana debatia se eles deveriam ser julgados ao lado dos outros 33 acusados de participar de crimes nas ditaduras latino-americanas ou em um processo à parte.

Gina Marques, correspondente da RFI Brasil em Roma.

Os juízes acataram os argumentos da defesa dos brasileiros, que pretendiam obter o julgamento em separado. Como o processo Condor foi aberto em fevereiro de 2015 e muitas testemunhas já haviam sido ouvidas, os magistrados decidiram pelo desmembramento da acusação contra os brasileiros. O julgamento deles começará no próximo 9 de maio, em Roma. Os réus poderão ser condenados à prisão perpétua.

O processo Condor começou há um ano, na Itália, e acusa outros 33 militares e políticos latino-americanos por crimes contra a humanidade, ao terem participado de assassinatos e sequestros durante os regimes autoritários em países como Argentina e Brasil nas décadas de 70 e 80. A Itália decidiu processar estes 33 porque eles são suspeitos de envolvimento nas mortes de cidadãos com dupla cidadania, uma delas sendo italiana.

O advogado Giancarlo Maniga, que representa a família Viñas, explicou à RFI Brasil: “As provas reunidas contra os outros 33 acusados já estão em fase avançada. Esta decisão dos juízes era previsível, pois inserir os réus brasileiros no mesmo processo poderia violar o direito de defesa deles.”

Operação Condor

Os quatro acusados brasileiros são defendidos pelos advogados públicos Anixia Torti e Valentina Perrone. “Eticamente, a abertura de outro processo não é a melhor solução, mas deontologicamente fizemos o que deveríamos”, declarou Valentina Perrone.

A audiência pública desta sexta-feira iniciou as 10h, hora local. A corte, formada por cinco juízes, presidida por Evelina Canale, ouviu também a Giulia Barrera, arquivista que testemunhou apresentando documentos sobre a Operação Condor. Ela explicou o período da ditadura político-militar do Brasil e da América do Sul e a ligação com os serviços secretos dos Estado Unidos.

Entre os documentos apresentados por Barrera estava um telegrama ao Departamento de Estado dos Estados Unidos comunicando a adesão do Brasil ao grupo Condor em 1976. A chamada Operação Condor foi uma aliança político-militar durante as ditaduras de 1970 e 1980 entre os vários regimes militares da América do Sul — Brasil, Argentina, Chile, Bolívia, Paraguai e Uruguai com a CIA dos Estados Unidos.

Entenda o processo

Em 2005, o Ministério Público italiano apresentou uma primeira lista de indiciados – um total de 140 militares e políticos de toda a América Latina envolvidos na morte de cidadãos com dupla cidadania italiana.

A lista de 140 acabou resultando em 33 processados. Onze brasileiros faziam parte da lista original, mas apenas estes quatro réus ainda estão vivos.

Caso Viñas

Em 1980, os quatro brasileiros tinham cargos de responsabilidade. Leivas Job era secretário de Segurança do Rio Grande do Sul. Ponzi comandava o Serviço Nacional de Informações (SNI) de Porto Alegre. Rohrsetzer dirigia a Divisão Central de Informações em Porto Alegre e o delegado Silva Reis era diretor estadual do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) no Rio Grande do Sul. Atualmente Rohrsetzer mora em Florianópolis, Silva Reis em uma praia do litoral gaúcho. Leivas Job e Ponzi vivem em Porto Alegre.

Lorenzo Ismael Viñas foi sequestrado em Uruguaiana na fronteira entre o Brasil e a Argentina em 26 de junho de 1980 e em seguida desapareceu. Ele era militante do grupo Montoneros, de oposição à ditadura da Argentina. Em 12 de março do mesmo ano, outra vítima ítalo-argentina também desapareceu no Brasil. Trata-se de Horacio Campiglia, que foi sequestrado no aeroporto Galeão, no Rio de Janeiro. No entanto, os quatro brasileiros não serão julgados pela morte de Campiglia.

A advogada da família Campiglia, Martina Felicori, falou à RFI Brasil: “Os juízes avaliaram que não existem elementos suficientes que poderiam demonstrar o envolvimento dos quatro brasileiros no caso Campiglia. Talvez porque os réus ocupavam cargos de responsabilidade no Rio Grande do Sul, distante do Rio de Janeiro”.

Na Itália, o réu pode ser processado à revelia, mas ele tem que ser comunicado sobre a acusação para poder nomear um advogado de defesa.

Impunidade para os agentes da ditadura era total, diz Clarice Herzog

As mortes em sequência do jornalista Vladimir Herzog, em outubro de 1975, e do metalúrgico Manoel Fiel Filho, em janeiro de 1976, três meses depois, foram para Clarice Herzog, viúva do jornalista, uma demonstração de como a impunidade acobertava as ações criminosas dos agentes da ditadura.

manoel fiel filho“A impunidade era tão grande. eles se sentiam tão poderosos, que podiam mostrar aquela foto do Vlado enforcado com pé no chão e o Fiel Filho enforcado, sentado numa privada. É uma vergonha, porque nem se preocupavam de fazer uma farsa bem-feita, porque a impunidade para eles era total”, disse à Agência Brasil.

O jurista Hélio Bicudo colheu depoimentos de ex-presos da época da ditadura para validar a versão de assassinato praticado por agentes do Estado. “Ninguém que atuava na área poderia acreditar que aquilo foi suicídio. Sabia-se, como foi no caso do Herzog, que era uma morte praticada pela polícia política”, disse.

Bicudo destaca que os dois episódios, as mortes de Herzog e de Fiel Filho, foram importantes para reconstrução da democracia no Brasil. “Essas duas mortes mostravam que a atuação dos agentes da repressão se manifestava não só na classe média, mas também na classe operária, como é o caso do Manoel. Foi uma morte que trouxe um anseio de mobilização para a sociedade, de necessidade de mudança”, afirmou.

*Edição: Aécio Amado.

CEV-Rio lança novo site e seu Relatório Final

A Comissão da Verdade do Rio lançou, no último dia 10 de dezembro, seu novo site, com notícias, clipping e links úteis, dentre outras coisas.

Nesse novo site, a CEV-Rio disponibiliza o seu Relatório Final, um material denso em que se pode encontrar relatos, informações históricas, dentre outros dados. Há também relatórios das comissões municipais, textos dos pequisadores colaboradores e o material produzido pelas pesquisas contempladas no edital 38 da Faperj, além de clipping e links úteis. Além disso, a CEV-Rio disponibiliza o “Mapa da Repressão”, um mapa interativo com os locais de prisão e tortura no Estado do Rio de Janeiro utilizados pelo regime ditatorial militar (1964-1985).

Para acessar o novo site da CEV-Rio, clique aqui

Baixa o Relatório Final da Comissão da Verdade do Rio de Janeiro aqui

Comissão da Verdade do Rio apresenta o seu relatório final dia 14/12

A Comissão da Verdade do Rio convida para Audiência Pública de Apresentação de seu Relatório Final, realizada pela Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da Alerj.

A atividade será realizada no dia 14 de dezembro, segunda-feira, às 14h, no auditório do 6º andar do prédio anexo da Alerj (Rua Dom Manoel, s/n – Centro).

Estarão presentes na audiência:

- Comissão da Verdade do Rio (CEV-Rio)

- Coletivo RJ Memória Verdade e Justiça

- Campanha Ocupa Dops

- Grupo Filhos e Netos Por Memória Verdade e Justiça

- Centro de Defesa dos Direitos Humanos de Petrópolis

- Instituto de Defensores de Direitos Humanos.

Link do evento no facebook: https://www.facebook.com/events/1756368461253641/

Livro revela nomes de vítimas da Operação Condor

Enviado por Mara L. Baraúna

Do Fato Online

Livro lembra os 40 anos da Operação Condor

Por Edson Luiz

Obra será lançada pelos países que fazem parte do Mercosul e conta histórias do período ditatorial envolvendo seis países da América do Sul

Quatro décadas depois, as populações de seis nações da América do Sul conhecerão um pouco mais daquilo que foi uma das maiores ações produzidas pela ditadura contra esquerdistas, a partir de 1975. Nesta terça-feira (24), será lançado em Assunção, no Paraguai, o livro “A 40 anos do Condor, que dará nomes das vítimas dos militares. Além disso, a obra vai mostrar lugares onde as torturas ocorreram, durante os regimes ditatoriais do Brasil, Uruguai, Paraguai, Chile, Argentina e Bolívia.

O livro foi editado pelo IPPDH (Instituto de Políticas em Direitos Humanos) do Mercosul, e será apresentado na reunião de altas autoridades nesta área, no Paraguai. Segundo o representante brasileiro, o ex-presidente da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, Paulo Abrão, a publicação teve a participação de todos os países envolvidos na operação. “A obra dá nome às vítimas e permite ao público o conhecimento de suas histórias”, afirma Abrão, que é secretário-executivo do IPPDH. “Também identifica os lugares onde funcionou a Operação Condor”, ressalta.

Nos locais onde se praticavam os atos contra os então esquerdistas, segundo o livro, as vítimas tinham três destinos, que era ser colocado à disposição do Poder Judiciário, ganhar a liberdade ou ser eliminado. A terceira opção era o assassinato ou o desaparecimento. Os mecanismos usados contra as vítimas, conforme conta a obra, eram desumanas. O preso não tinha nome, apenas apelido ou número, sua alimentação era precária, não havia contato com o mundo exterior, entre outros fatos.

No livro são abordados fatos relacionados aos processos judiciais abertos em Buenos Aires e Roma, a partir de 25 de novembro de 1975, quando se deu início à Operação Condor. O ato foi uma ação das áreas da Dina (Direção Nacional de Inteligência), formada pelos militares brasileiros, paraguaios, chilenos, argentinos, uruguaios e bolivianos.

Os mesmos grupos que derrubaram Allende em La Moneda comandaram a Operação Condor

Jango – Como, quando e por que se derruba um presidente

O filme refaz a trajetória política de João Goulart, o 24° presidente brasileiro, que foi deposto por um golpe militar nas primeiras horas de 1º de abril de 1964. Goulart era popularmente chamado de “Jango”, daí o título do filme, lançado exatos vinte anos após o golpe. 

A reconstituição da trajetória de Goulart é feita através da utilização de imagens de arquivo e de entrevistas com importantes personalidades políticas como Afonso Arinos, Leonel Brizola, Celso Furtado, Frei Betto e Magalhães Pinto, entre outros. O sugestivo slogan do filme foi “Como, quando e por que se derruba um presidente”.

O documentário captura a efervescência da política brasileira durante a década de 1960 sob o contexto histórico da Guerra Fria. Jango narra exaustivamente os detalhes do golpe e se estende até os movimentos de resistências à ditadura, terminando com a morte do presidente no exílio e imagens de seu funeral, cuja divulgação foi censurada pelo regime militar.

Assista aqui o documentário “Jango – como, quando e por que se derruba um presidente”

Veja também outros documentários de Silvio Tendler, sobre a ditadura, aqui

O documentário Militares da Democracia, de Silvio Tendler

Silvio Tendler dirige “Militares da Democracia”

Eles lutaram pela Constituição, pela legalidade e contra o golpe de 1964, mas a sociedade brasileira pouco ou nada sabe a respeito dos oficiais que, até hoje, ainda buscam justiça e reconhecimento na história do país.

O documentário “Militares da Democracia” resgata, através de depoimentos e registros de arquivos, as memórias repudiadas, sufocadas e despercebidas dos militares perseguidos, cassados, torturados e mortos, por defenderem a ordem constitucional e uma sociedade livre e democrática.

O cineasta Silvio Tendler mescla fatos documentais e ficcionais sobre o período da ditadura militar no país. A narrativa destaca a participação dos militares que lutaram pela democracia, mas que ainda não são conhecidos pelas novas gerações.

Com produção de Ana Rosa Tendler e locução de Eduardo Tornaghi, o filme  retoma o percurso de vários grupos de militares que muito antes do golpe de 1964 já vinham se organizando por novos direitos, melhores condições de trabalho, e na defesa de uma sociedade melhor. E como, a partir de 1964, esses distintos grupos passaram a ser tratados, sofrendo represálias, como a perda do direito de usar a farda, de seus direitos trabalhistas, assim como foram impedidos de exercer suas atividades profissionais. Inédito. 88 min.

Ano: 2014. Gênero: documentário. Direção: Silvio Tendler. Produção: Ana Rosa Tendler. Locução: Eduardo Tornaghi.

Classificação indicativa: 12 anos

Assista aqui o documentário Militares da democracia

Comissão conclui que CSN ajudou a repressão na ditadura

Relatório da Comissão da Verdade acusa empresa de ter demitido trabalhadores e espionado moradores

Rio - A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), em Volta Redonda, contribuiu para a política de repressão na ditadura militar, perseguindo e demitindo funcionários por suas convicções ideológicas. E ainda espionou moradores que não tinham ligação direta com a empresa.

É o que conclui o relatório da Comissão da Verdade Dom Waldyr Calheiros, com 577 páginas, entregue ontem na Câmara Municipal à representantes do Centro de Memória da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Ato de entrega do relatório oficial da Comissão da Verdade lotou a Câmara de Volta Redonda

Foto: Francisco Edson Alves / Agência O Dia

O documento sugere que a empresa, torne público “milhares de páginas de espionagens de cidadãos”, da antiga Assessoria de Segurança e Informação (ASI) e do Departamento de Segurança da Usina (DSU), órgãos da CSN ligados, segundo evidências, ao SNI (Serviço Nacional de Informações).

A CSN informou que a empresa ainda não teve acesso ao relatório, mas garantiu que “disponibilizou todos os arquivos solicitados”.

“A CSN, além de demitir 77 sindicalistas que foram presos e torturados, sem que houvesse condenação deles em IPM (Inquérito Policial Militar), também dispensou, por terem participado de manifestações contra o Golpe de 64, outros 113 trabalhadores”, revelou Edgard Bedê, historiador e relator, que se debruçou sobre 14 casos de torturas e mortes provocadas pelo então 1º Batalhão de Infantaria Blindado (BIB).

O relatório tem ainda outras 20 recomendações, entre elas, que William Fernandes Leite, 22 anos, Valmir Freitas Monteiro, 27 , e Carlos Augusto Barroso, 19, assassinados pelo Exército na histórica greve de 1988, sejam incluídos na lista de mortos da ditadura. Emocionados, parentes deles e de outras vítimas, além de sobreviventes das torturas, participaram do ato.

“O MPF (Ministério Público Federal) vai analisar o relatório para responsabilizar civil e criminalmente violadores identificados”, adiantou o procurador da República, Júlio Araújo Júnior.

Parentes dos metalúrgicos mortos se emocionam

Irmã e filha, respectivamente, de Valmir Freitas Monteiro, Adriana Monteiro,  39, e Aline Monteiro, 28, choraram muito durante o ato de entrega do relatório. “Estamos felizes porque sabemos que a morte dele não foi em vão. Por meio dela muitas verdades já vieram e virão à tona, fazendo com que injustiças sejam reparadas”, disse Aline, que só tinha um ano quando Valmir foi assassinado pelo Exército na Usina Presidente Vargas. “Os transtornos na família foram sucessivos. Minha mãe, por exemplo, se entregou e morreu no alcoolismo”, lembra.

A psicóloga Margareth Fernandes Leite, irmã de William Fernandes Leite, também não conteve as lágrimas ao reviver a história da morte do rapaz. “O trabalho da comissão foi exemplar e corrige anos e anos de descaso das autoridades para com a mortes dos metalúrgicos. Espero que a barbaridade do dia 9 de novembro de 1988 jamais seja esquecida”, disse Margareth. Rita Barroso, irmã de Carlos Augusto Barroso, também acompanhou em silêncio a audiência na Câmara. “Ainda é muito doloroso. Parece que a tragédia foi ontem”, murmurou com uma amiga.

Presos e torturados por dois meses, só porque pertencia ao grupo Juventude Operária Católica (JUC), taxado pelo Exército de subversivo, Francisco Assunção, de 70 anos, e Arny Amorim da Silva, 72, relembraram os momentos de horror nos porões do 1º BIB de Barra Mansa. Ambos levaram choques nas genitálias e língua, apanharam por mais de dez horas em paus-de-araras, quase morreram asfixiados em latões d`água e levaram “telefones” (tapas simultâneos nos ouvidos).

“A dor física passa, mas a psicológica, jamais. Até hoje os gritos de horror dos torturados ainda me assombram”, contou Francisco, que ficou dois meses dentro de uma cela escura, apelidada pelos militares de “submarino”. “Só tinha uma pequena abertura no teto, tipo uma escotilha. Só sabíamos de se era noite ou dia através dos cantos dos pássaros ao anoitecer”, lembra Francisco. “Num dos dias, nua sobre a mesa de torturas levando choques seguidos, apanhei por dez horas seguidas”, detalhou Arny, que tinha sido presa por defender empregadas domésticas de abusos sexuais e exploração trabalhista.

“Casos suspeitos” serão novamente investigados

O  relatório também apresenta detalhes de um dos episódios que mais marcaram a repressão no Sul Fluminense: as torturas impostas a 15 Soldados no BIB (Batalhão de Infantaria Blindada), então sediado em Barra Mansa. Quatro deles foram torturados até a morte  Geomar Ribeiro da Silva, Juarez Monção Virote, Wanderley de Oliveira e Roberto Vicente da Silva. Todos tinham 19 anos e foram detidos por suspeitas, jamais provadas, de que usavam maconha.

Constam inda no relatório, detalhes da greve de 1988, que culminou coma morte dos três metalúrgicos. O relatório trata ainda como “casos suspeitos” e sugere a reabertura de investigações, a explosão do Memorial Nove de Novembro, em 1989, e a morte do prefeito morte do prefeito Juarez Antunes, 21 dias após sua posse, em fevereiro de 1989, num acidente automobilístico.

“Depoimentos contundentes de um capitão da Força Especial do Exército, obtidos pela comissão, processado por suposto roubo de explosivos, indicam que militares de alta patente mandaram explodir o memorial”, comentou Bedê.

Vlado – 30 anos depois

No dia 25 de Outubro de 1975, o jornalista Vladmir Herzoga presentou-se ao DOI-CODI (órgão da repressão política do regime militar) para prestar um depoimento. No fim da tarde do mesmo dia, a família e amigos de Vlado recebem a terrível notícia: Vlado estava morto e, segundo fonte oficial, teria cometido suicídio na prisão. O filme revela, a partir de depoimentos de amigos, familiares, colegas que viveram com ele a história, a amplitude das perseguições daqueles momentos, a trajetória do jornalista, desde sua infância, na Iugoslávia, com sua família de origem judaica, fugindo da perseguição nazista, suas idéias políticas, sua militância, seu senso de ética, até sua posse como Diretor de Jornalismo na TV Cultura de São Paulo e a perseguição a ele iniciada naquele momento e o horror dos porões do regime militar, onde imperava a tortura e os assassinatos políticos.

Vladimir Herzog foi um daqueles que se preocupavam muito com a liberdade da sociedade, diferentemente de muitos jornalistas renomados da sua época. Talvez por isso o seu destino foi semelhante à imprensa que lutava contra a Ditadura: a Morte.
Mas sua morte semeou a rebeldia em certos setores da sociedade.

Conheça a vida de Vlado e além disso, conheça um pouco da imprensa tradicional brasileira, a mesma que pediu sua cabeça. Direção: João Batista de Andrade

Vlado – 30 anos depois